E sabia que com ele estava uma parte importante de mim. A mais importante.
Meus olhos agora cheios de lágrimas se estreitaram pelo quarto em que eu estava, levantei caminhando até a porta, com minha blusa cinza e um short qualquer.
Parei abaixando os olhos, encontrando o pingente esférico em meu bolso, ele havia me dado no natal, era lindo e com brilhos azuis, era perfeito.
Uma lágrimas libertara-se calmamente e eu coloquei o pingente no pescoço, olhei para o lago a minha frente, e lembrei de suas ultimas palavras, de sua breve despedida, no meu bolso direito peguei sua carta, lendo em letras rabiscadas, contando-me seus motivos, nosso fim, meu fim.
Forcei minhas pernas fracas a se firmarem de pé e segui por toda a praça, logo sentando em um banco, fechei os olhos e podia jurar sentir seu cheiro, presente, eu era ainda louca por ele.
- O que faz aqui? - levei um belo susto com aquela voz de veludo.
Olhei para o lado, surpresa.
- Hum...
- Esta chorando? - observou ele e eu limpei rapidamente os olhos com a manga da blusa.
- E-eu to bem - menti.
Ele se colocou ao meu lado, deixando sua bicicleta de lado.
Ele olhou bem de perto, agora colocando seus óculos, ele odiava usá-los, mas eu o achava perfeito assim.
- Nunca vou me acostumar com eles - admitiu me olhando por sobre as lentes.
Como sempre, ajeitei os óculos dele e ele abriu-me aquele seu sorriso perfeito.
Ver aquele sorriso interrompeu meus pensamentos, mas logo me enchi de questões a seu respeito, antes que eu dissesse algo ele repousou seu polegar sobre meus lábios.
- Eu... Tive uma doença rara... Não queria que sofresse, achei que deixá-la assim seria melhor - explicou e beijou meu rosto - Mas esqueci meu coração com você.
Tentei sorrir, quase sem sucesso.
Ele colocou a mão no meu pingente, me olhou com ternura.
- Você ainda a usa.
- Você vai voltar? A.. doença.. Você se curou? - perguntei rapidamente, preocupada, pegando sua mão.
- Ei, acalme-se - pediu tocando meu rosto - Eu quero que saiba que não a deixei por não a querer mais, mas para não a magoar ainda mais, minha querida.
- Eu sei, mas... Você vai voltar? - insisti.
Com um sorriso sutil nos lábios ele aproximou o rosto do meu.
Seus dedos em minha bochecha eram frios, mas reconfortantes, seu hálito era congelante sobre minha face, fitei seus olhos castanhos e esperei seu beijo, mas antes ele me disse algo, bem baixo.
- O destino é um quebra-cabeças, minha querida, é infinito... Talvez um dia, eu volte para você - e me beijou ternamente.
Aproveitei daquele beijo ao máximo que pude e seus dedos ficaram em meu pingente por um minuto, quando abri os olhos sentia a brisa acariciar minha face e diante de mim só seu perfume, não fora um sonho, não fora fruto de minha imaginação.
Ele viera me ver... Apesar de não estar mais comigo sabia deste sentimento infinito.

