quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pesadelo diário

E se você se prendesse em um sonho?
E se tornasse um pesadelo?
Eu estava caminhando durante o dia entre as casas, mas já era tarde, comecei a seguir na direção de casa, onde subi no telhado, era um costume meu. Olhei para o céu, onde formavam-se nuvens carregadas e tudo escurecia rapidamente.

Uma ave de pequeno porte se colocou ao meu lado, fitei-o um instante e encostei-me numa madeira que tinha ali, fixando os olhos nas gaivotas ao distante, logo fechando meus olhos e os abrindo rapidamente. 
A tempestade surgiu, junta as sombras, as portas da casa batiam tão forte que meus ouvidos pareciam que iam explodir, vi a cidade escurecer, todas as casas apagando-se, pulei para a janela de casa e todas as janelas também batiam, o vento fazia barulho, eu podia jurar ver um vulto passar por mim.
Olhei em volta, apavorada, indo até a porta, tentando abri-la, pois a janela na qual pulei agora fechara-se.
—Eu juro a culpa não é minha! — ouvi a voz de um garoto.
Me encostei na porta, arfando de medo.
—O que? — arregalei os olhos.
—A culpa não é minha — o garotinho chorava.
Engoli seco, tentando tomar coragem e fui me aproximando dele, sem entender.
—Ei, você esta perdido? — perguntei baixinho.
Quando me aproximei mais vi os olhos do garoto, vermelhos vivo, por completo.
—VOCÊ NÃO PODE ME ENTENDER! — gritou junto a um trovão e caí no chão com tudo, ele veio até mim com passos lentos e não era mais um garoto, estava se formando ali um ser muito estranho.
Encolhi-me dando um grito de medo, era horrível. Abri a porta com toda força que pude e saí, o mundo afora agora estava de um azul, o ser, antes garoto, agora enorme caminhava na minha direção, com um machado na mão, corri, mas fui pega por trás, berrei de dor, sentindo em mim algo frio, muito frio e o hálito daquela criatura sem duvida inumana.
Em um grito meu pescoço foi cortado  e doeu, vi as gotas escarlate escorrerem rapidamente por meu corpo, a morte parecia tão simples...














Estava no quarto, inteira, deitada em minha cama, era simplesmente um sonho, a chuva lá fora continuava, calmamente a água estava batendo em minha janela, sorri por ser um simples pesadelo, por estar bem e por tudo ter enfim acabado, só fiquei irritada com o pequeno ruido que a cama agora estava fazendo, uma gota gelada caiu na minha testa, percebi que começou a cair gotas freneticamente pela cama, água para todos os lados da cama, virei para ver a água, mas não era água, era vermelho, vermelho sangue... Era sangue. Então  olhei para o teto, dei um grito muito alto.

A garota amarrada ao teto, ensopada de sangue, que agora pingava na minha cama era eu, ela tirou as mãos do rosto completamente desfigurado e amedrontador e me olhou no fundo dos olhos, afundando-me no desespero, que era o oposto de sua voz calma.
—É só o começo do seu pesadelo.
Mais uma vez eu estava presa... Em meu pesadelo diário.

domingo, 9 de outubro de 2011

Sem exceções

Acho que eu o amava desde criança, mas não admiti pra mim mesma, não era de admitir as coisas, principalmente o amor, isso desde pequena, aprendi que o amor verdadeiro não existia, e se acontecesse, ele jamais duraria.
Depois de estudar mais de cinco anos com meus três melhores amigos, Fernanda,Sophia e o John, eu estava pensando em mudar de colégio, quer dizer, era a ideia dos meus pais. John e Sophia foram em casa conversar com meus pais, e atrasada, chegou Fernanda, que se colocou correndo ao lado de John.
Era evidente sua paixão dela por ele.
Sentamos a mesa e conversamos, mas a atenção de Fernanda era completamente em John,até que ela percebeu o desconforto dele, apanhou sua maquiagem e não nos deu mais a mínima.

Quando acabamos ela se levantou, basicamente jogando-se para perto dele.
Era ridículo.
Fernanda puxara-o para fora, mas ele ficou, olhou meus olhos.

Sorri sem jeito.
 - Obrigada.
Agradeci a Sophia e a Fernanda, logo ambas se retiraram, John fora o ultimo a ir.
Meu coração acelerara, eu sei que parece idiota,mas acelerara quando ele me olhou daquela forma, me deixara completamente sem jeito.
E assim se passou o resto das férias, conversei com meus pais variadas vezes.
Eles permitiram que eu ficasse no colégio.
 Ao entrar na sala ele sentou-se do meu lado.
- Oi - falei simpática.
- Oi - disse avermelhado - Novas?
- Nada e você?
- Ah tenho, quero que va em casa hoje, ou amanhã - propôs.
 Sorri confusa.
- Hum, ta bom entao, você vai?
- Acho que sim.
- Acha?
- Eu vou - ri.
 Ele ficou vermelho com meu jeito.

 E o professor entrou.
 As mesas eram duplas. Sophia sentou-se a minha frente, Fernanda na frente dele, ela olhava-o com cobiça esplendida  logo entardeceu. Saí de lá e fui a casa dele, liguei antes, mas estava perto e o peguei de surpresa,ele sorriu pra mim e me fez entrar, seus pais haviam saído.
- Ei, olha só - me levou até seu computador, mostrou um site que criara e uma pasta na sua mão me impressionou.
- O que é isso?
Sentamos no chao.
- Desenhos, pretendo postar no meu site, mas queria uma opiniao de alguem.
Olhei.
- Nossa, são perfeitos - eram casas, lugares lindos,eu nunca soube o quao bem ele desenhava, na verdade, nunca nos falamos direito,ele já fora em casa e eu na casa dele, mas de verdade, não tivemos um bom contato juntos.
Eramos só amigos.
Não pude evitar olhá-lo.

Ele sorriu doce ao me ver analisa-lo,o que me deixou completamente vermelha.
Idiota, eu.
- Esta tarde - comentei levantando,ele assentiu.
Me perguntou se havia algo de importante para o colégio no dia seguinte, disse-lhe que não e fui pra casa, olhando o teto do meu quarto pelo menos algumas horas depois de deitar, não consegui dormir bem, pelo menos não sem pensar nele, como eu nunca o reparara antes? E pior,como gostara de alguém sabendo que minha amiga também gostava?
Suspirei e adormeci enfim,no dia seguinte ela chegou primeiro que eu, sentou-se ao lado dele e eu sentei de frente, mandaram-nos fazer duplas, mas antes que ela lhe pedisse ele me convidou a fazer com ele, eu aceitei gentilmente.
Concordávamos em tudo, era absurdo!
Ele continuou a me contar de sua vida e do que fez variadas vezes na escola, de quando era pequeno, ele sempre fora terrível, lembrei também de muitas daquelas histórias, eu participara da sua vida, eu sempre vivera com ele.
Lembrei-lhe da vez em que um garoto me pedu em namoro e ele questionou-o, John deu um riso sem graça,agora sim avermelhou-se.
- Lembra-se dos cartões do dia das mães em que sujamos toda a sala? - ri.
- Lembro - sorriu pra mim.

Rimos muito juntos e acabou a aula, me arrumei em casa e saí.
 Fernanda estava na porta de casa, sorri para a mesma.
- Oi!
- Eu vim conversar - disse ela rude - Eu percebi o jeito que esta olhando o John,quero que saiba que há algo entre eu e ele, você pode não saber, mas nós ja tivemos algo, ainda temos, então é melhor desistir, só aviso - ela deu as costas e saiu.
Enruguei a testa, perplexa.
Eles tiveram algo?
Esta noite eu não dormi, e assim passaram-se dias, eu estava paranoica perto dele, paranoica de verdade. Ela ficava perto demais e ele não falava nada, sorria, simpático, gostando.
  Até a quinta-feira.
Sai da aula quieta,ambos os dois não estavam na aula. Atrás de uma árvore, ela-o puxava para si, o beijava.
Olhei um instante,depois abaixei os olhos.

Virei-me e fui pra casa, disposta a falar com meus pais. Queria sair daquela escola.
Nunca mais vë-lo,nunca mais sentir aquilo por ele! Então me perguntei quando foi que me tornei tão apaixonada por ele, fui me lembrando aos poucos e peguei meu diário, como eu me esquecera? Todas as páginas, todas sem exceção, tinham o nome dele, comentários carinhosos e doces, olhei em tudo e li, eu contava cada detalhe dele, cada mínimo detalhe.
Eu me lembrei.
 Eu sempre o amara.
Chorei por toda a noite, eu era de fato uma idiota, que amava tão cegamente.

Arfei de manhã sem ir para o colégio. Meu celular tocou,um numero estranho.
- Por que faltou? - era ele.
- ... - desliguei e a campainha tocou, dsci as escadas indo atender.
 Abri e ele me puxou pra fora, olhou meus olhos.
- Você estava chorando - julgou - E-eu vi, vi você ontem, você viu errado, e-ela me agarrou, quando me livrei dela você já tinha ido embora, tentei falar contigo, mas você faltou!
- Quem disse que me importo?
 Ele fixou os olhos nos meus.
- Acho que ninguém precisa me dizer - disse.
- Ela me contou que vocês já ficaram juntos, que sentem algo, você não precisa me explicar nada nem se preocupar comigo, estou bem e...
- E acreditou nela?
Engoli um tanto seco.
- Ah.. Sim.
Ele fitou meus olhos, um tanto incrédulo.
- Eu e ela nunca tivemos nada, eu não a suporto - declarou me olhando nos olhos - Você não podia ter acreditado, justo a garota no qual reservei meu coração todos esses anos com medo de ser rejeitado, será que nunca percebeu como me sinto contigo? Como sou apaixonado por ti? Será que não percebe que jamais conseguiria olhar para outra da mesma forma que olho pra você?
O olhei sem jeito e sorri sem graça, ele levemente me puxou para si.
- Minha garota - deu um riso agora trazendo os lábios aos meus.
Artes fã
Sorri correspondendo e puxando-o pra mim, deixando meus lábios modelarem os dele, mostrarem o quanto eu gostava dele, o quanto eu sempre o amara tanto.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Invasores

Eu precisava de um motivo só para olhar pra frente.
Senti os olhos dele cravados em mim, minhas pálpebras doíam bastante, eu as forçava.
—Beatriz — ouvi sua voz clara e doce, levantei os olhos e fitei aqueles olhos castanhos mel, gentis, que me 
davam uma sensação segura.
Tentei manter meus olhos abertos, mas parecia tão difícil.
—Você esta bem? — perguntou vindo perto de mim, eu olhei envolta, havia ficado o som baixo.
Eu estava prestes a desacordar, ele pegou meus braços — Vou te levar ao hospital.
Desacordei, no meu sonho estava no gelo, havia sangue pintando o chão, era uma visão não muito agradável, não olhei para os lados, corria, vi uma poça de sangue ali, então olhei envolta, estava sozinha. Haviam poucas 
árvores a minha volta, entrei em desespero.
Vi vultos escuros se formando a minha volta e fechei os olhos.
Senti um frio inacreditável, eu tremia muito, corria de olhos fechados e quando os abri vi uma figura, era escura e grande, fitava meus olhos e seus olhos eram brancos, não eram olhos comuns, eram grandes e estridentes. Um som foi emitido de seus lábios, ela não era humana, e por mais estranho que fosse, eu só via sua face, não era capaz de ver seu corpo. 
E então reconheci, e ao mesmo tempo, acordei.
Eu pulara da cama, não estava num hospital, era como um porão, estava escuro.
—Beatriz — disse ele e eu o olhei confusa — Eu tive que tirá-la do hospital.
Sentei na cama e ele veio perto de mim.
—Foi horrível — minha voz soou amedrontada, um sussurro.
—A cidade continua sendo atacada, querem saber quem matou-o — me explicou fitando meus olhos — Você esta melhor?
Eu já tinha lágrimas nos olhos. Abracei-o.

—Me escute — sussurrei preocupada — Eu a vi novamente, só a face, mas a vi novamente, não é como os vampiros que estão atacando, ela é diferente, tem os olhos diferentes. 
—Não é uma vampira?
Encarei seus olhos agora que continham expressões pesadas, várias imagens passavam em sua mente.
—Não.
Saímos dali, lá fora a cidade já não era a mesma, parecia mais o fim do mundo.

—Temos que descobrir o que são — sussurrei a ele, ele pegara minha mão e corremos para um canto escuro, vi um vampiro, ele nos olhos, veio até mim e meu corpo parecia ser puxado pela aquela criatura estranha.
—Você é como nós — ouvi sua voz, meu amigo tentou me puxar para trás.
—Beatriz, saia de perto dele!
—Se acalme, Mario — pedi a ele enquanto puxava minha mão pra trás. 
Aquele ser na minha frente me encarou nos olhos e levei um flash estranho, pisquei várias vezes e senti o cheiro de sangue forte, vinha do Mario, eu queria sentir o sabor, mas algo em mim me impedia de atacá-lo. Sim, o ser tinha acertado, eu de fato não era mais humana, mas isto não mudara minha opinião sobre matar as pessoas. Chutei o ser para longe e agarrei a mão de Mario.
—Eu não sou mais humana há um tempo — murmurei e ele apesar de com medo me acompanhou, eu andei até um prédio, tinha vários guardas mortos no chão — Pegue armas.
Abaixei-me em direção a um, mordi-lhe o pescoço e bebi o sangue, depois peguei suas armas e levantei.
—O sangue é fresco, foram mortos recentemente — olhei Mario e limpei a boca, ele me olhava com medo, fui perto e achei que ele se distanciaria — Eu jamais te machucaria.
Ele passara da fase amigos para mim, toquei seus dedos de leve.
—Quando ela me transformou nisto era pra mim morrer, mas uma parte minha continua humana, e eu voltei, mas eu não te machucaria, nunca — sussurrei e ele tocou meu rosto, fitei seus olhos com ternura — Desculpa não ser mais a mesma.
Senti um cheiro conhecido, virei-me e o deixei atrás de mim.
—Foge — pedi.
—Não! Não vou a lugar algum sem você!
E então eu a vi, ela tinha aqueles olhos enormes e branco, usava um vestido negro que ia-lhe até os pés, mas sua pele era tão branca que parecia acender ali. Pulei a atacando e ela caiu por um instante, mas se levantou com uma rapidez adimirável.
—Você não devia ter feito isto — disse-me.
Olhei Mario querendo manda-lo fugir de novo, e arregalei os olhos quando vi o que iria fazer, fiz que não, mas ele mirou e atirou nela, com uma rapidez incrível ela se virou para ele e a bala mudou de curso, voltou e o atingiu na cabeça mantando-o. Caí no chão já chorando, com medo, estava agora sozinha.
Aquela criatura veio até mim e tocou minha testa. E tudo que vi foi um clarão.
 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobreviva

Pareça como eles, pareça como eles, pareça como eles..., repeti em minha mente.
E me escondi dentre tantos deles, com minha pele machucada 
Tentei parecer com eles em seu jeito de andar e desarrumei meu cabelo para parecer com a garota que estava ao meu lado, eu só não podia deixar que vissem meus olhos.


—Lá fora, procurem se esconder o suficiente, não mostrem os dentes, eles estão desconfiando, depois me sigam. Sejam naturais — disse o da frente e eu o olhei incrédula, abaixando meus olhos na mesma hora e vi uma garotinha.
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Como ela iria parecer normal naquele estado? Era impossível!
Ela me olhou nos olhos, mas algo a fez desviar para minha sorte, então vi Jared, meu melhor amigo. Ele se escondera dentre os seres ali e agora procurava alguém como ele, humano, levantei a cabeça e ele me viu, mas abaixamos a cabeça antes que percebessem.
—Nós vamos nos separar, andem pela cidade e nos veremos no Estádio de Selenita — disse aquele mesmo cara que mandou-nos sermos "naturais" e eu fui andando entre eles até chegar atrás de Jared, mas ele não me viu — Formem duplas ou pequenos grupos.
Peguei sua mão por trás e ele ficou rígido, com medo. Não ousou me olhar, seus dedos gelaram de medo e ele seguiu.
—Então, pra onde vamos? — fez uma voz mega-estranha.
—Jared, sou eu — o puxei e ele me olhou, me abraçou aliviado, me apertou forte.
—Vem, sei o que fazer — levei-o até uma loja que para nossa sorte só tinha uma humana, então comprei maquiagem preta e vermelha.
E fomos para o teatro que estava abandonado depois da guerra.
—Como sobreviveu? — me perguntou.
—Achei uma arma. E você?
Ele mostrou sua pistola.

—Eu sou um militar lembra? — e mostrou que só sobraram duas balas — Só que tem muito pouco pra eles.
Eu tremia.
—Você esta bem?  me perguntou.
—O Jorge morreu — chorei — Mataram ele.
Ele me abraçou forte e sussurrou-me que tudo ficaria bem.

—Sinto muito por seu pai — falou e eu o apertei, mas soltei.
—Tenho que te maquiar, temos que parecer com eles — limpei minhas lágrimas e peguei o lápis preto, passei embaixo de seu olho e fiz uma olheira forte, fiz o mesmo em mim, fiz machucados falsos nele e em mim, e depois passei o vermelho junto ao preto para parecer sangue — Pronto, podemos ir.

Caminhamos livremente até um lugar escuro, onde haviam alguns deles.
—Muitos de nós morreram esta noite, as forças armadas estão atacando, os humanos estão voltando das Trevas  — anunciou um deles.
O olhei e vimos um porão onde ele nos mandou entrar.
Com medo segurei no braço de Jared e ele desceu do meu lado, lá embaixo tinha a iluminação de poucas velas, me escondi num canto com Jared e de repente um cara encostou-se em mim, seus olhos cegos, sua boca sangrenta, seu jeito nojento. Ele me cheirava enquanto eu me encolhia mais contra Jared.
—Acho que temos companhia — ele jogou-me para frente com uma força brutal que me machucou o braço e as costas.
 E Jared correu me segurando.
—Ela esta comigo! — disse de cabeça baixa — É minha humana.
—Olhe para mim servo! — berrou um, mas uma janela se abriu e um humano atingiu a cabeça daquele mesmo que berrara com um tiro, Jared correu comigo para longe.
Todos começaram a correr e havia uma tropa ali, muitos humanos. Um tanque de guerra enorme e vários homens armados.
Jared me levou para um canto e me olhou preocupado.
—Você esta bem?
—Não, esta doendo — falei levantando a blusa de frio e vi um roxidão no meu braço, doía pra caramba — Ai droga.
Peguei na minha mochila um pano e ele passou pra mim.
—Obrigada — falei enquanto a ambulância vinha para nos ajudar, dois guardas nos colocaram para dentro e o motorista acelerou.
Não tinha um paramédico ali conosco, só o motorista. 
Quando percebi que ele acelerava muito, enrolei um pano no meu machucado e bati atrás de seu banco, por trás da pequena grade que tinha.
—Com licença, pode diminuir? — pedi.
Ele abriu a grade e me olhou, era um monstro deles, e quando vi o carro, estávamos indo em direção à um precipício.
Caímos, morremos.

sábado, 25 de junho de 2011

Procura

Eu estava em uma festa, detalhe que eu odiava festas, odiava muito!
Iria esperar Sheila para ir embora, mas ela estava se divertindo muito e eu estava entediada, pedi à um garoto que dissesse a ela que eu tinha ido embora. E saí dali, era madrugada e as ruas estavam quase vazias, o que me fez pensar seriamente em voltar pra festa e esquecer tudo que vi, mas não foi o que fiz.
Então vi Erick, um dos garanhões da escola, ele era da outra sala, mesmo ano que eu, mas as vezes falava comigo. Era louro e alto, o tipo bonitão que encantava qualquer garota que o visse, e apesar de toda fama de metido, ele era um bom amigo para se conversar quando podia.
Ele veio até mim acompanhando meu passo.
—Olá — disse ele — Aonde vai?
—Pra casa — respondi um tanto dura.
—Sozinha e nesse horário? — perguntou preocupado.
O olhei devagar me perguntando por que ele se preocupava, nem me conhecia direito.
—É, estou com dor de cabeça — menti. 
A dor de cabeça era ver Fred (o cara que eu gostava) com outra.
—Espere mais um pouco, você não ia embora com a Sheila?
—Sim, mas ela esta se divertindo e como eu já disse, estou com dor de cabeça — fui rude.
Então eu te acompanho 
Passamos por algumas ruas e andamos por longos minutos silenciosos.
Até que ele segurou meu braço. O olhei confusa
—Ta, vamos ser sinceros — ele disse — Eu não sou muito cavalheiro pra acompanhar garotas, vamos ao ponto.
—Que ponto? — perguntei.
—Este.
E ele me beijou com força nos encostando na parede do beco.
Correspondi a seu beijo, mas sem saber o que fazer ou se devia dar uma chance a ele.
—Desculpe — sussurrou a mim quando me soltou.
—Você.. Ahn..
—Vi como você olhou o Fred lá — tinha um sorriso doce no rosto — Não esta com dor de cabeça.
Assenti o olhando meiga.
E ele beijou minha bochecha de leve. Como ele era doce!
Sorri largo o olhando.
—Desculpa por agir assim do nada — disse baixo
—Acho que tudo bem — respondi confusa.
Ele pegou minha mão e andamos.
—Erick, tenho que ir pra casa, é pra lá — falei puxando sua mão e ele assentiu andando comigo, entrou em um beco — Erick, vamos por lá, aqui não é seguro.
Ele passou um braço por cima do meu ombro.
—Te protejo, certo? — e de repente ele parou olhando-me nos olhos, ele acariciou minha bochecha.
—O que foi?
Ele deu um riso nervoso.
—Você é... Diferente..
—Diferente? — perguntei sem jeito.
—Sim, há algo errado — parou me olhando nos olhos — Fica parada, por favor, é pro seu bem.
—Acho que você bebeu mais do que devia.
Ele deu um riso 
—É sério — comuma rapidez inacreditável ele me pegou nos braços de lado e colocou um dedo em meu olho, achei que doeria, mas não doeu, ele segurou minha boca pra mim não gritar e tirou algo do meu olho, depois me soltou.
—Você é louco! — falei assim que ele me soltou e ele olhou algo que tirou, parecia uma lente.
Então um homem apareceu.
—Ah, você a encontrou — disse o homem.
—Erick, quem é ele?
—Tem algo errado — Erick respondeu ao homem — Ela é pura ainda, não podemos...
—Terá que ser ela — o homem disse e eu saí correndo sem entender.
Fugindo para qualquer lugar, fui na direção de casa, virei a rua.
—Espere! — Erick apareceu na minha frente — Fique calma querida.
Ele pegou meu braço com força.
—Calminha.
Tampou minha boca enquanto eu dava um berro reprimido, ele me levou de volta ao beco.
O olhei amedrontada e ele amordaçou minha boca.
—Esta tudo bem, querida — Erick disse e pegou uma faca, ele a girava com habilidade — É rápido, você ficará bem.
Ele colocou a mão na minha testa e minha visõa mudou, agora eu vinha fogo.
Night Terror Flame Yellow
E acho que desacordei, quando abri meus olhos estava numa sala escura.
Olhei para os lados, não havia ninguém, me encolhi, estava sem a mordaça na boca e não estava amarrada como antes, mas procurava Erick para saber aonde estava, levantei devagar, tonta. Desamparada.
Olhei para o lado e ouvi um som compassado, mas a cada segundo mais forte e próximo. 
E então vi, mas uma visão estranha.
Arregalei os olhos, parecia mais uma visão do "Predador" do que minha, pisquei novamente e vi normal, ele estava de preto, era um garoto, devia ter a minha idade, chegou perto de mim e simplesmente sussurrou.
—Vem, temos que sair daqui — disse — Não se preocupe, esta tudo bem, eu também fui pego por eles. Acho que ficaremos bem.
Minha perna estava machucada, portanto ele teve de me ajudar a andar, o que foi uma tarefa muito difícil, pois quase caímos duas vezes. Quando saímos lá fora e eu vi a cidade, coloquei os dedos na boca, incrédula.
Olhei para todos os lados, mas não havia sinal de uma alma viva sequer, o que havia acontecido? Peguei meu celular, mas não tinha área, ele pegou o dele também e nenhum tinha área.
—Qual seu nome? — me perguntou.
—Emily — respondi confusa — E você é... ?
—Sou Jack — não havia um sorriso em seu rosto, mas um esboço de sarcasmo — Acho que seremos grandes companheiros de viagem.
Olhei mais uma vez entre os prédios e destroços envolta de nós, e enfim assenti.
—Tenho que concordar — escondi um pouco do meu desespero interno e de repente o sol clareou tudo, pude ver seus olhos e os meus vi num espelho enorme atrás dele.
Era uma loja, só que só tinha o espelho, me assustei comigo mesma e corri para ver meus olhos. ELe veio do meu lado olhando também.
—Nós somos como eles agora — disse-me.
—O que somos? 
—Experiências, há outros como nós.
O olhei já sabendo o que tínhamos que fazer.
—Temos que procurá-los.
—Sim — concordou comigo.
Ele me olhou num sorriso confiante e pegou minha mão, disposto a me proteger do que fosse. E apesar de tudo, me senti segura ao seu lado.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Lembranças do futuro...


Eu estava em algum lugar estranho, via um lago escuro, era muito frio.
Não me lembrava de nada. A ultima lembrança que tinha era de estar numa festa entre amigos, no meio do shopping, era noite, só.
Como fora parar ali? Por que estava ali? Como sairia dali?
—Quem é você? — ouvi uma voz forte, masculina e um pouco grossa, mas ao mesmo tempo gentil.
Virei-me confusa e encontrei o homem que se dirigia a mim, me perguntei se era seguro respondê-lo. com medo de quem seria ele.
—Onde é.. Ahn, aqui? — perguntei devagar.
Ele riu me olhando como se questionasse minha sanidade.
Não sabe onde esta? — perguntou ainda naquele riso tão bonito que por segundos me fez esquecer o que perguntaria.
E senti-me mole, muito mole, de repente, desmaiei.
Quando acordei, minha visão estava muito embaçada, mas logo consegui perceber estar numa cama.

Ele apareceu e se abaixou me olhando.
Você esta bem moça?  perguntou com duas xícaras de chá nas mãos, me esforcei a sentar.
—Acho que sim — respondi com dificuldade para me sentar — Onde estou?
Ele me entregou uma das xícaras, parecia preocupado.
Esta em Penápolis — disse respondendo Você desmaiou e eu lhe trouxe para minha casa.
—Penápolis? — arregalei os olhos — Mas como eu vim parar aqui? Moro em Santo André!
Moça, você esta perdida?
Arregalei os olhos.
—Sim — falei devagar bebendo um gole de seu chá de camomila — E-eu estava em uma festa, eu não me lembro como vim parar aqui, não sei o que aconteceu depois.
E logo em seguida descobri que já havia três dias que eu participara daquela festa. O que acontecera comigo? 
—Três dias — arregalei os olhos quase engasgada.
Três dias o que?
—Faz três dias que a festa aconteceu e eu não me lembro de nada depois disso.
Ele ficou meio sem reação depois dessa.
Eu posso chamar a polícia — ofereceu.
—Não, se faz três dias meus pais viajaram — peguei meu celular no bolso.
Acha que viajariam se você sumiu? 
Peguei o celular e liguei para minha casa, foi até a caixa postal e eu desliguei, então liguei para minha melhor amiga, ela atendeu e eu coloquei no viva-voz.
—Oi, que saudade amiga! Como esta sendo a viagem?
—Ahn, você pode me dizer quando vim? Que dia era? — pedi.
—Esta maluca amiga? — ela ria — Foi ontem, você decidiu que viajaria, ta, já conversamos, não vou insistir de que acho que ficou com medo de ficar sozinha por que seus pais iriam viajar e você foi pra Penápolis, e então, agora vai me dizer por que resolveu ir pra aí do nada?
Dei um riso sem jeito e falso.
—Não, nem pensar, obrigada amiga, vou ahn, desligar — falei — Beijos, tchau.
E desliguei, olhei para aquele cara estranho.
—Eu não sei por que vim pra cá — entrei em desespero, mas mantive minha voz calma, um tanto quanto alterada, mas calma — E-eu tenho que voltar pra casa e...
Você não esta bem — me disse Acabou de desmaiar, você pode ficar aqui se quiser, por uma noite ou duas, ou até ficar melhor e se lembrar.
—Eu não sei o que esta havendo comigo — minha mão tremia um pouco.
Ele me olhou compreensivo e em seus olhos castanhos vi uma certa compreensão.
Você deve estar com fome — ele se levantou e saiu do quarto, eu não disse nada, não sabia bem o que pensar sobre tudo.
 Forcei minha mente tentando me lembrar e só me lembrava de beber muito na festa, e depois ir pra casa, mas só. Suspirei encarando a janela que tinha uma visão clara, era uma fazenda, havia um campo bonito quando me levantei e olhei, cambaleei um pouco e vi que a casa era de madeira, haviam quadros nas paredes, pareciam ser crianças, uma família. Desci as escadas quase caindo nos degraus, mas me segurando nas paredes cheguei na cozinha, aonde ele estava. Ele cozinhava.
Parei na porta, o olhando, era um sujeito bonito, tipo musculoso e alto,  e apesar das fotos de família eu não era capaz de acreditar que ele tivesse uma, ele tinha um jeito solitário.
 Ele percebeu ser observado e me olhou.

—Desculpe — pedi — Não queria espioná-lo.
Tudo bem — disse com tom de simpatia  Sente-se, o almoço esta quase pronto.
—Ahn, ah, qual é o seu nome? — perguntei.
Victor — respondeu e logo me perguntou o meu.
Sorri sem jeito.
—Sou Kate.
Almoçamos silenciosos, de vez em quando eu lhe perguntava algo e ele também me perguntava, o bastante para mim saber que aquelas fotos eram de parentes dele, ele era o dono da fazenda que era uma herança de seus pais já falecidos e ele morava sozinho fazia um ano.
Eu me perguntei como voltaria para casa, não sabia nem como havia chegado ali.
— Victor, eu vou embora logo, me desculpe, eu ahn, não sei o que esta havendo comigo... Mas eu vou embora, não se preocupe — falei um tanto afobada.
Ei, não estou incomodado com você, na verdade, me sinto bem em ter uma companhia  tinha um sorriso gentil no rosto.
—Mas e-eu não posso ficar aqui sem mais nem menos...
Fique calma — aconselhou Dê tempo ao tempo, acho que se lembrará logo.
Agradeci-lhe o apoio e ele foi lá fora na plantação de girassol, fui atrás e olhei, era lindo, lindo de verdade.
—Posso te ajudar? — pedi, era justo, ele me dava uma moradia e eu lhe ajudava.
Ele me olhou pensativo.
Por que esta fazendo isso?
—Acho justo, você esta me dando uma moradia e me ajudando, quero só, ahn... Tentar retribuir no que quiser — falei sem jeito, mexendo com os dedos nervosamente — Então... Eu... Posso...?
Ta, vou te ensinar — ele me ensinou a manusear várias coisas e eu fui lhe ajudando. Voltamos para dentro a noite, ele percebeu que iria ter que ir ao mercado Quer vir comigo?
—Sim, sim, assim o ajudo — ofereci e ele deu um riso sem jeito.
Não achei que encontraria alguém tão prestativa pra me ajudar! — admitiu.
—E amnésica também — ri vermelha e ele riu também, entramos em sua caminhonete e fomos a um mercado que havia logo perto, poderíamos ir até a pé, mas acredito que ele traria bastante compras.
Entramos e eu levava o carrinho enquanto ele pegava as coisas, como ele era conhecido ali, muitos perguntavam a ele quem eu era e praticamente todos me conheceram. Quando voltamos fui ajudando ele a guardar as coisas, vendo aonde ia cada uma delas.
—Na próxima já posso ir sozinha pra você — falei num meio sorriso.
Seu olhar se tornou diferente.
Não quero que seja minha empregada...
—Não estou sendo, apenas quero retribuir sua ajuda, poxa, você nunca me viu na vida e confia em mim a ponto de me deixar ficar na sua casa, mesmo que eu pareça maluca — expliquei — Por favor, me deixa te ajudar, vou me sentir melhor se fizer isso.
Eu ainda não acho legal, nem justo — insistiu.
—Mas é claro que é justo, seria injusto você me manter e eu não fazer absolutamente nada por você — encarei-o, ele suspirou longamente e não disse mais nada. 
Parecia exausto.
—Se me permitir, faço o jantar, você me parece exausto — ofereci — Se quiser, se sentar ou deitar, eu vou fazendo e chamo-o quando terminar... Bom, se você quiser, se não tudo bem, entendo.
Ele me deu um sorriso suave.
Por favor, faça, estou realmente cansado, irei tirar um cochilo, pode ficar à vontade — se afastou devagar.
—Obrigada.
Ele deu mais um riso e subiu as escadas.
Eu gostava de fazer massas, era minha especialidade, principalmente lasanha e foi esta que fiz, claro que demorou um pouco e eu aproveitei para fazer um suco, arrumei a mesa, gostava da toalha xadrez que a cobria. E olhei a janela, era tão boa a sensação daquele lugar, eu gostaria de morar ali, tinha um bom sossego, algo que eu buscava muito e aliás, eu já tinha idade para sair de casa, poderia me mudar, para perto dali, era um lugar lindo.
Tirei a lasanha do forno e a coloquei na mesa, os copos e ajeitei, depois subi tentando não fazer barulho e andei pelo corredor, havia uns quatro quartos, o que eu estava eu sabia qual era, restavam três, fui no de porta semi-aberta.
E o vi.

Ele estava todo desajeitado, mas não pude deixar de notar o quão bonito era, claro com aquele cabelo moreno e liso, aquele rosto perfeito e ele tinha um sorriso bonito, ele era um cara bonito pra caramba, ainda mais por que tinha o corpo em forma e tudo mais, devia chamar atenção de garotas aonde ia.
—Victor — chamei baixo — Victor...
Ele se mexeu um pouco e me olhou, ficou corado quando me viu, ajeitou seu cabelo.
—O jantar esta pronto — falei colocando meu cabelo pra trás da orelha, minha mania para quando estava nervosa.
Ah, ta bom, eu já vou — sentou e eu pedi licença saindo do quarto e descendo.
Parei novamente olhando a janela, fitando os girassóis, lindos..

Você gosta dos girassóis? — perguntou me fazendo pular.
O olhei devagar.
—S-sim — arregalei os olhos.
Desculpa pelo susto — disse sorrindo A comida esta com um cheiro maravilhoso, vem.
Fomos até a mesa e eu coloquei pra ele, ele me fez colocar mais, se alimentava bem. Coloquei pra mim e comemos juntos, ele elogiou minha comida variadas vezes, dizia que estava feliz por ter uma companheira para cozinhar e ajudá-lo, acho que eu era sua melhor amiga.
E um dia se passou.. Quando tive que ir ao mercado comprar leite quase todos já se lembravam de mim, sorriram ao me ver e perguntaram dele, respondi que trabalhava e que eu só estava para comprar o que faltava, perguntaram se eu e ele estávamos juntos, disse-lhes que não, éramos amigos e que eu estava só para visita.
Na volta o encontrei andando na calçada, estava distraído, não chegou a ver o carro se aproximar dele. Estava com as mãos nos bolsos, camisa preta.

Ele sorria largamente, pensativo. O olhei confusa.
—Victor — chamei — Tudo bem? Aonde esta indo?
Ah, eu ia sair, mas acho que vou voltar — sorriu pra mim e eu pulei pro lado indo pro banco do passageiro.
—Entra — falei e ele entrou me olhando.
Ajustei o cambio pra ele e ele pegou na minha mão sem querer, e então fitou meus olhos.

A-hã — pigarreou Vamos.
Fiquei vermelha. Ele acelerou o carro e fomos pra fazenda, lá eu fui guardando as coisas e ele foi trabalhar na plantação.
E eu fui num canto sozinha atrás da casa, sentei-me no chão e fiquei pensando... Não me lembro bem o que houve comigo, desacordei por uns minutos, longos minutos, e lembrei um pouco, eu bebera, bebera aquela noite e acordara com pensando neste lugar. Mas como eu podia conhecê-lo sem nunca tê-lo visto antes? 
Lembrei de ter dito aos meus pais que ficaria em torno de uma semana fora, eles concordaram desconfiados, mas menti dizendo que minha amiga iria comigo e simplesmente vim, bati o carro na viagem...
Acordei.
Respirei aceleradamente, confusa, preocupada. O que eu estava fazendo ali?
Fitei o lago que tinha ali, era grande e a água era clara, eu gostava dali, era calmo, mas meus pensamentos rodavam na mente, estava preocupada. O sol refletia na água, e o fluxo dela era tão lento que me fazia querer mergulhar em suas águas frias.

Levantei devagar, ainda fitando ali, jamais esqueceria daquela vista perfeita, voltei e entrei devagar, ele pegou meus braços com as mãos e olhou meus olhos, o olhei confusa.
Aonde você foi? — perguntou preocupado.
—Ahn, no lago aqui atrás... Por quê?
Por que esta anoitecendo e aqui é perigoso à noite! Você quase me matou de susto — disse, percebi que estava realmente muito preocupado comigo, eu devia lhe dizer algo ou apenas me desculpar, e foi o que eu decidi fazer.
—Desculpe — pedi.
Ele soltou meus braços agora só olhando meus olhos.
Esta tarde, vá dormir — ele praticamente mandou.
—Ta...
Fui subindo na frente e ele veio comigo, deitei e ele parou na porta me olhando.
—O que foi? — perguntei.
Não saia daqui a noite, é perigoso.
Assenti ajeitando meu travesseiro.
—Não se preocupe comigo — pedi e ele foi se virar — Victor, eu ahn.. Me lembrei de algumas coisas.
Ele me olhou curioso e se sentou na ponta da cama.
Do que se lembrou?
—Eu voltei pra casa aquele dia e decidi vir para cá, não sei por quê, eu não me lembro, mas pedi sete dias — falei pensativa — E-eu me lembro que bati o carro e não lembro mais, mas acho que foi assim que cheguei naquele lago... E depois, só me lembro de te ver e vir pra cá.
Victor me olhou devagar.
Se você lembrar, você vai embora?
—Ainda tenho cinco dias pra ficar aqui — fui doce.
Sorriu.
Acho que não quero perder minha ajudante — admitiu.
—Ei, se eu for embora e talvez recupere minha mente eu volto pra te ver! — dei-lhe um abraço — Prometo.
Ele me abraçou sem jeito, me apertando.
—Acho que você é o amigo mais legal que já conheci — sorri o olhando — Obrigada por tudo Victor.
Eu que devo agradecer — disse meigo Desculpa por agir daquele jeito com você lá embaixo, fiquei preocupado.
Sorri mais que antes.
—Tudo bem, eu não devia sair sem te avisar — continuei, na verdade, gostava daquela atenção dele.
Não estou com sono, quer jogar um jogo?
Me empolguei no mesmo instante.
—Quero, que jogo?
Logo começamos a jogar e passamos boa parte da noite jogando, até que pegamos no sono, os dois. No meu sonho estava em um lugar mais escuro que me deixava só enxergar a lua.
Era um sonho bonito, assustadoramente belo.

E acordei vendo que ele estava praticamente em meus braços. Ele espreguiçou devagar sem nem perceber que estava comigo, depois sorriu ainda de olhos fechados e me olhou, arregalou os olhos avermelhando.
—Calma — pedi-lhe — Esta tudo bem.
Desculpe! Eu acho que perdi a noção de...
—Não se preocupe — pedi, ele me olhou ainda corado e se sentou ajeitando seu cabelo — Eu vou fazer o café da manhã...
Não, eu vou! Você não pode fazer tudo! — disse rapidamente se levantando.
O olhei devagar.
—Ta então, vou ahn, tomar um banho — falei devagar.
Tem toalhas lá no armário, você sabe.
Desceu as escadas as pressas, peguei a toalha, minhas roupas e entrei no banheiro, tomando o banho e rindo baixo por sua reação ao perceber que dormiu na mesma cama que eu. Me arrumei com uma blusa nova que havia comprado com meu cartão que achara em minha carteira, eu tinha uns trocados, mas preferia o cartão, então comprei algumas roupas.
Fui até ele de blusa rosa e calça jeans preta.
O café da manhã esta pronto — falou me olhando.
—Ah, ta — sentei diante da mesa e ele colocou pães, leite quente, café e algumas coisas a mais — Ei, você é bom nisto.
Ele sorriu torto, constrangido, envergonhado. Estranho, ele jamais agira assim comigo, sempre legal e simpático, nunca tímido. Comemos e depois fomos trabalhar, arrumamos a plantação e eu fui regar o jardim, era mais um dia comum, até que meu celular tocou.
—Kate — era a voz da minha mãe — Você tem que vir pra casa, seu pai sofreu um acidente.
—Acidente? — perguntei preocupada.
Ela chorava e isto me deixava mais preocupada ainda.
—Mãe, calma, eu vou pra casa — entrei na casa subindo pro quarto e pegando minhas coisas, coloquei na bolsa grande que eu havia comprado — Fica calma, eu já vou ta?
—Ta — ela soluçou — Tchau filha.
—Tchau mãe, fica calma — e desliguei.
Desci correndo com a bolsa e fui até Victor, ele percebeu que eu corria e que estava preocupada.
O que houve? — perguntou confuso.
—Meu pai sofreu um acidente — falei — E-eu tenho que ir.
Ele me olhou triste
Vai embora? — perguntou.
—E-eu volto Victor, juro que volto, eu prometo, mas eu preciso ir — falei olhando seus olhos — Desculpa.
Não me deve desculpas. 
Ele me levou até o carro e fomos até o aeroporto, quando chegamos lá eu já estava esperando meu voo e o olhei devagar.
—Eu prometo que volto — falei fitando seus olhos.
Ahn, tudo bem, vá com calma, não se preocupe comigo — pediu me olhando nos olhos tão fundo que achei que me perderia ali.
E ele tocou meu cabelo com leveza, sem jeito.

Vou esperar você — disse baixo.
Eu sentia meu coração batendo forte.
—Eu venho, mas, por favor, não se esqueça de mim — pedi num meio sorriso e dei um passo leve pra trás, ele ainda me olhava daquele jeito que me fazia ter certeza de por que ele agia daquele jeito e de por que eu também agia assim.
Estava apaixonada por ele.
—Jamais esqueceria — havia um sorriso plantado entre suas bochechas agora rosas ali e eu entendia-o mais que tudo agora.
—Ahn... Tchau — me virei devagar e fui embora.
No avião não conseguia parar de pensar nele, era inevitável como um pedaço do meu coração parecia ter ficado com ele lá.

E doía tanto!
Quando pousou eu fui pra casa, meu carro estava na garagem. Como eu havia saído de casa sem levar meu carro?
Entrei e minha mãe me abraçou forte.
—Filha! — ela me apertou.
E logo fomos ao hospital ver meu pai, ele havia se machucado muito, mas estava melhorando e os procedimentos médicos estavam ajudando muito. Ele estava melhorando a cada dia e foi pra casa, e um dia minha mãe me lembrou de que eu fora atrás de um cara.
—De quem? — perguntei.
—Não sei, você disse que ele era importante — disse ela confusa — Encontrou-o?
—S-sim.
Estava incrédula. Eu já sabia de Victor?
—Quem é ele?
—Ahn, é muito legal — falei e suspirei logo em seguida — Estou apaixonada por ele.
Ela riu.
—Querida, isto é lindo!
—Mãe, ele mora longe — continuei — E não poderia vir pra cá, ele tem uma fazenda, é lindo lá. Não seria possível ele vir pra cá, eu teria que... Morar lá.
Seu tom se tornou sério.


—Filha, você mal sabe o que esta dizendo, não concordo com você ir atrás dele — disse.
—Mas eu gosto dele...
—Gosta dele, não é sério querida, vai ver que é só um amor juvenil.
A olhei devagar.
—Não é.

Ela suspirou longamente e brava, irritada com minha idéia.
Subi as escadas correndo e entrei no meu quarto, desesperada, sentei no chão chorando... Eu tinha que vê-lo novamente!

Tranquei a porta ainda chorando, joguei meus sapatos na parede e peguei meu diário.
Comecei a lê-lo e lá achei o que queria de verdade.


É a ele que devo procurar, eu não sei por quê, mas algo dentro de mim me puxa para um lugar longe daqui, eu tenho que ir, fugir. E ir para seus braços... Mas sei que para isso terei que esquecer, esquecerei de por quê saí, mas tenho que sumir, por alguns dias, ser dele, eu pertenço a ele, estou deslocada aqui, meu coração é dele e o clama todos os dias aos sussurros.
Por isso estou escrevendo aqui agora, para me lembrar, tenho que ver isto... Saí a noite de sábado, disse aos meus pais que tinha que encontrar um amigo, para meus amigos não disse o motivo, e simplesmente fui, só me lembre... Jamais olhe o futuro novamente.


Enruguei a testa ainda confusa e coloquei o diário na cama, pensando nas probabilidades de ter mesmo visto o futuro, era impossível! Mas então como eu esquecera de tudo que meu diário mencionava? Eu estava louca!
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Limpei minhas lágrimas, confusa, mas ainda chorava de saudade dele.


No dia seguinte, lá estava eu, indo falar com a minha mãe.
—Mãe, eu vou ir vê-lo — falei.
—Não, não vai — insistiu — Eu não o conheço, não sabemos suas intensões e nem nada.
—Mãe, eu cheguei desamparada lá e ele me recebeu, ele me ajudou! Ele é bom! Um dia quero que você o conheça, perceberá que ele é um cara maravilhoso, mas mãe, preciso vê-lo — pedi de novo.
—Não! — ela berrou agora.
Meus olhos encharcaram de lágrimas agora.
—Eu tenho dezenove anos mãe! Eu tenho o direito de ir aonde eu quero!
—Não enquanto vive embaixo do meu teto! — rebateu e meu pai entrou na cozinha.
—Parem as duas — mandou de pé com muletas e eu saí correndo, subi e entrei no quarto, deitei na cama chorando de novo, sofria por dentro, queria ele... Precisava dele.
Peguei meu celular e vi a quantia de créditos, dava para mandar algumas mensagens, mas eu não esperava que ele as recebessem logo, ele trabalhava demais para ver seu celular.
Mas mesmo assim enviei.


Victor, sou eu, estou mandando esta mensagem para dizer que eu estou com alguns problemas para voltar e eu acho que talvez demore um pouco para ir vê-lo novamente, desculpe. Um beijo, Kate.


E fitei a janela mais uma vez, quieta e pensativa, esperando sua resposta.

Meu celular vibrou como sempre, o que me assustou um pouco. Meu coração teve um êxtase e acelerou com força, me perguntando se seria ele abri, sorrindo com a surpresa que me aguardara.


Eu imaginei, seu pai sofreu um acidente, tudo bem, eu entendo que tenha problemas, aliás, eu moro longe e eles não vão achar muito legal você ficar vindo pra cá, mas não se preocupe. Eu te espero.


Sorri com lágrimas nos olhos e dei-lhe uma resposta simples.


Estou com saudades, tchau.


E fechei o celular sabendo que meus créditos acabaram. Deitei na cama um pouco mais alegre do que antes, e cochilei livremente. Sonhando com ele pela primeira vez, com aquele olhar dele no meu no aeroporto e aquele seu sorriso quando o encontrara andando na calçada, ele pegara em minha mão e olhou meus olhos tão sem jeito que parecia que iria explodir. Ele sentia algo por mim, eu sabia. E como eu mesma dizia em meu diário, meu coração clamava a ele.
Acordei e já era noite, queria vê-lo, fazer o jantar e sorrir esperando-o para vir comer.
Quando me perdera tanto de amor por ele?!
—Kate, vem jantar — chamou minha mãe.
—Não estou com fome — gritei.
Meu pai veio no quarto.
—Vem filha — pegou minha mão e descemos.
Minha mãe me olhou devagar e não sorriu.
—Nós vamos deixar você ir ver este tal garoto.
—Victor — corrigi.
—Isso, Victor — disse ela — Mas queremos você em casa, quero que me prometa ter juízo.
Suspirei.
—Mãe, eu e ele não estamos juntos — falei. Ela me olhou confusa — Eu só gosto dele, ele nem sabe desse meu sentimento, não há nada entre nós. 
Ela pareceu entender, se acalmou mais.
—Ah, pensei que vocês já estavam juntos — ela disse me olhando.
Ri.
—Não, acho que ele não me vê assim — respondi meiga, mentira, achava que ele me amava também — Então não se preocupe, não há nada entre nós, só quero agradecê-lo por me ajudar tanto.
—Ahn, então me sinto mais segura em mandá-la — parecia aliviada.
Assenti e terminei de almoçar, logo pelo fim da tarde subi e arrumei minha mala, meus pais me levaram até o aeroporto e eu peguei o avião. Estava ansiosa para vê-lo, com saudades dele.
Era noite quando cheguei na cidade, demorei para chegar até a casa dele que era bem longe do aeroporto, entrei cheguei de manhã e me surpreendi com o que vi. Tinha uma garota lá com ele, não estavam juntos de vista, mas ela tinha um olhar pra ele, parei no potão e olhei.

Queria voltar pra casa naquele instante, fingir que nem tinha perdido viagem e diria aos meus pais que ele não estava em casa, que foi um completo desencontro, mas seriam desculpas demais e outra, meus olhos demorariam a parar de escorrer as lágrimas que já queriam se formar, me escondi atrás da casa e vi-a sair. Então fui atrás dele, sentia falta dele e como tal não resisti a abraçá-lo.
—Oi Victor — falei e ele se virou agora me abraçando também.

Kate! — exclamou gentil como sempre.
O olhei doce.
Você veio — ele me olhou nos olhos e nos soltamos.
—Sim, eu vim — não achei bom perguntar quem era a garota no qual ele conversara antes da minha vinda.
Entramos e ele me acomodou naquele quarto que eu estava antes, coloquei minhas coisas lá.
Quanto tempo você vai ficar comigo? — perguntou meigo.
—Ah, eu não sei — respondi devagar, confusa.
Por favor, fique mais tempo — pediu gentil.
Sorri sem jeito e ele tocou meu cabelo olhando-me nos olhos de novo, me tirando o ar.
—Tentarei.
Ele sorriu mais e alguém bateu na porta. Ele desceu correndo, apressado e devagar eu fui atrás.
Era aquela garota de novo, ela o abraçou forte e eu me escondi para que ela não me visse, chovia e ela estava um pouco molhada, segurei a respiração e olhei de lado.
—Oi — ela tinha uma voz desagradável.
Oi — disse ele  Você esqueceu alguma coisa?
—Sim, eu ahn... Esqueci a minha blusa de frio — ela entrou e foi até a mesa.
Espera aí! Ela tinha tirado a blusa de frio pra quê?
Arregalei os olhos esperando e dei um passo pro lado sem querer, fingi que estava descendo mesmo as escadas para saber quem era.
—Ah oi — falei a ela devagar e ela me olhou confusa.
—Oi — ela disse sem saber o que falar e o olhou — Até mais, tchau.
Ele não respondeu e eu o olhei confusa.
—Ahn, você estava com ela? Quero dizer, estavam juntos? — não pude conter a pergunta.
Não, ela ah, veio me informar umas coisas da cidade.
—Eu não vou cair nessa — dei um riso sem graça.
Ele me olhou devagar.
É sério, ela veio me trazer notícias — disse Ela só esqueceu a blusa.
—Se veio trazer uma notícia por que tirou a blusa?
Olhei-o em mais um riso totalmente sem graça.
—Ahn, eu acho que estou incomodando — falei antes que ele dissesse algo e subi, peguei minhas  coisas enquanto ele tentava me interromper, desci as escadas.
—Não esta! Para com isso, Kate! — pediu ele segurando minha mala e eu passei, mas ele derrubou-a no chão e quando eu voltei para pegá-la ele me puxou pela cintura.
Olhei seus olhos um instante, ele estava encharcado como eu e me puxou pra perto ainda olhando meus olhos, seus olhos desviaram para meus lábios e ele deu-me um sorriso perfeito.

Devagar ele me beijou, um beijo doce e que ao mesmo tempo que era suave, me tirava o ar completamente. Devagar ele pegou minha mala no chão com uma das mãos e fomos andando ainda entre beijos até sua porta, ele bateu as costas e abriu agora nos encostando na parede.
Ele soltou minha bolsa e me pegou nos braços, depois escorregamos e caímos, nos beijando no chão, ele apertava minha cintura envolvendo-me naqueles seus braços fortes, então me soltou um pouco agora acariciando meu cabelo com ternura.
Eu esperei muito por isso — sussurrou beijando meu rosto, sentindo meu cheiro Que vontade, que saudade de ter você aqui, e-eu gosto de você desde aqueles dias... E eu não consigo mais viver sem você aqui. Então, por favor, fica comigo.
—Acho que estou ficando louca — admiti — Em querer isso, é loucura... Moramos longe e você tem sua vida, mas é tão difícil quando estou longe de você.
Ele respirava na minha respiração e eu o beijei novamente.

Passei meus dedos por seu cabelo molhado, ele passou os braços envolta de mim de novo e nos beijamos mais, correspondíamos um ao outro, o que eu achei que talvez não fosse acontecer nunca.
Ele me soltou ainda com os lábios nos meus.
Você não é louca — disse.
Eu ri.
—Imagina, só apareci na sua vida do nada, sem me lembrar do nada e me apaixonei do nada — falei em sussurros.
Mas se não fosse assim talvez eu não descobrisse o que é o amor.
Eu nunca descobri o que me fez ir até ele, nem o por quê, só sei que algo me fez encontrar tudo que eu procurava e não sabia. Ele.