sábado, 25 de junho de 2011

Procura

Eu estava em uma festa, detalhe que eu odiava festas, odiava muito!
Iria esperar Sheila para ir embora, mas ela estava se divertindo muito e eu estava entediada, pedi à um garoto que dissesse a ela que eu tinha ido embora. E saí dali, era madrugada e as ruas estavam quase vazias, o que me fez pensar seriamente em voltar pra festa e esquecer tudo que vi, mas não foi o que fiz.
Então vi Erick, um dos garanhões da escola, ele era da outra sala, mesmo ano que eu, mas as vezes falava comigo. Era louro e alto, o tipo bonitão que encantava qualquer garota que o visse, e apesar de toda fama de metido, ele era um bom amigo para se conversar quando podia.
Ele veio até mim acompanhando meu passo.
—Olá — disse ele — Aonde vai?
—Pra casa — respondi um tanto dura.
—Sozinha e nesse horário? — perguntou preocupado.
O olhei devagar me perguntando por que ele se preocupava, nem me conhecia direito.
—É, estou com dor de cabeça — menti. 
A dor de cabeça era ver Fred (o cara que eu gostava) com outra.
—Espere mais um pouco, você não ia embora com a Sheila?
—Sim, mas ela esta se divertindo e como eu já disse, estou com dor de cabeça — fui rude.
Então eu te acompanho 
Passamos por algumas ruas e andamos por longos minutos silenciosos.
Até que ele segurou meu braço. O olhei confusa
—Ta, vamos ser sinceros — ele disse — Eu não sou muito cavalheiro pra acompanhar garotas, vamos ao ponto.
—Que ponto? — perguntei.
—Este.
E ele me beijou com força nos encostando na parede do beco.
Correspondi a seu beijo, mas sem saber o que fazer ou se devia dar uma chance a ele.
—Desculpe — sussurrou a mim quando me soltou.
—Você.. Ahn..
—Vi como você olhou o Fred lá — tinha um sorriso doce no rosto — Não esta com dor de cabeça.
Assenti o olhando meiga.
E ele beijou minha bochecha de leve. Como ele era doce!
Sorri largo o olhando.
—Desculpa por agir assim do nada — disse baixo
—Acho que tudo bem — respondi confusa.
Ele pegou minha mão e andamos.
—Erick, tenho que ir pra casa, é pra lá — falei puxando sua mão e ele assentiu andando comigo, entrou em um beco — Erick, vamos por lá, aqui não é seguro.
Ele passou um braço por cima do meu ombro.
—Te protejo, certo? — e de repente ele parou olhando-me nos olhos, ele acariciou minha bochecha.
—O que foi?
Ele deu um riso nervoso.
—Você é... Diferente..
—Diferente? — perguntei sem jeito.
—Sim, há algo errado — parou me olhando nos olhos — Fica parada, por favor, é pro seu bem.
—Acho que você bebeu mais do que devia.
Ele deu um riso 
—É sério — comuma rapidez inacreditável ele me pegou nos braços de lado e colocou um dedo em meu olho, achei que doeria, mas não doeu, ele segurou minha boca pra mim não gritar e tirou algo do meu olho, depois me soltou.
—Você é louco! — falei assim que ele me soltou e ele olhou algo que tirou, parecia uma lente.
Então um homem apareceu.
—Ah, você a encontrou — disse o homem.
—Erick, quem é ele?
—Tem algo errado — Erick respondeu ao homem — Ela é pura ainda, não podemos...
—Terá que ser ela — o homem disse e eu saí correndo sem entender.
Fugindo para qualquer lugar, fui na direção de casa, virei a rua.
—Espere! — Erick apareceu na minha frente — Fique calma querida.
Ele pegou meu braço com força.
—Calminha.
Tampou minha boca enquanto eu dava um berro reprimido, ele me levou de volta ao beco.
O olhei amedrontada e ele amordaçou minha boca.
—Esta tudo bem, querida — Erick disse e pegou uma faca, ele a girava com habilidade — É rápido, você ficará bem.
Ele colocou a mão na minha testa e minha visõa mudou, agora eu vinha fogo.
Night Terror Flame Yellow
E acho que desacordei, quando abri meus olhos estava numa sala escura.
Olhei para os lados, não havia ninguém, me encolhi, estava sem a mordaça na boca e não estava amarrada como antes, mas procurava Erick para saber aonde estava, levantei devagar, tonta. Desamparada.
Olhei para o lado e ouvi um som compassado, mas a cada segundo mais forte e próximo. 
E então vi, mas uma visão estranha.
Arregalei os olhos, parecia mais uma visão do "Predador" do que minha, pisquei novamente e vi normal, ele estava de preto, era um garoto, devia ter a minha idade, chegou perto de mim e simplesmente sussurrou.
—Vem, temos que sair daqui — disse — Não se preocupe, esta tudo bem, eu também fui pego por eles. Acho que ficaremos bem.
Minha perna estava machucada, portanto ele teve de me ajudar a andar, o que foi uma tarefa muito difícil, pois quase caímos duas vezes. Quando saímos lá fora e eu vi a cidade, coloquei os dedos na boca, incrédula.
Olhei para todos os lados, mas não havia sinal de uma alma viva sequer, o que havia acontecido? Peguei meu celular, mas não tinha área, ele pegou o dele também e nenhum tinha área.
—Qual seu nome? — me perguntou.
—Emily — respondi confusa — E você é... ?
—Sou Jack — não havia um sorriso em seu rosto, mas um esboço de sarcasmo — Acho que seremos grandes companheiros de viagem.
Olhei mais uma vez entre os prédios e destroços envolta de nós, e enfim assenti.
—Tenho que concordar — escondi um pouco do meu desespero interno e de repente o sol clareou tudo, pude ver seus olhos e os meus vi num espelho enorme atrás dele.
Era uma loja, só que só tinha o espelho, me assustei comigo mesma e corri para ver meus olhos. ELe veio do meu lado olhando também.
—Nós somos como eles agora — disse-me.
—O que somos? 
—Experiências, há outros como nós.
O olhei já sabendo o que tínhamos que fazer.
—Temos que procurá-los.
—Sim — concordou comigo.
Ele me olhou num sorriso confiante e pegou minha mão, disposto a me proteger do que fosse. E apesar de tudo, me senti segura ao seu lado.

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