E se você se prendesse em um sonho?
E se tornasse um pesadelo?
Eu estava caminhando durante o dia entre as casas, mas já era tarde, comecei a seguir na direção de casa, onde subi no telhado, era um costume meu. Olhei para o céu, onde formavam-se nuvens carregadas e tudo escurecia rapidamente.
Uma ave de pequeno porte se colocou ao meu lado, fitei-o um instante e encostei-me numa madeira que tinha ali, fixando os olhos nas gaivotas ao distante, logo fechando meus olhos e os abrindo rapidamente.
A tempestade surgiu, junta as sombras, as portas da casa batiam tão forte que meus ouvidos pareciam que iam explodir, vi a cidade escurecer, todas as casas apagando-se, pulei para a janela de casa e todas as janelas também batiam, o vento fazia barulho, eu podia jurar ver um vulto passar por mim.
Olhei em volta, apavorada, indo até a porta, tentando abri-la, pois a janela na qual pulei agora fechara-se.
—Eu juro a culpa não é minha! — ouvi a voz de um garoto.
Me encostei na porta, arfando de medo.
—O que? — arregalei os olhos.
—A culpa não é minha — o garotinho chorava.
Engoli seco, tentando tomar coragem e fui me aproximando dele, sem entender.
—Ei, você esta perdido? — perguntei baixinho.
Quando me aproximei mais vi os olhos do garoto, vermelhos vivo, por completo.
—VOCÊ NÃO PODE ME ENTENDER! — gritou junto a um trovão e caí no chão com tudo, ele veio até mim com passos lentos e não era mais um garoto, estava se formando ali um ser muito estranho.
—VOCÊ NÃO PODE ME ENTENDER! — gritou junto a um trovão e caí no chão com tudo, ele veio até mim com passos lentos e não era mais um garoto, estava se formando ali um ser muito estranho.
Encolhi-me dando um grito de medo, era horrível. Abri a porta com toda força que pude e saí, o mundo afora agora estava de um azul, o ser, antes garoto, agora enorme caminhava na minha direção, com um machado na mão, corri, mas fui pega por trás, berrei de dor, sentindo em mim algo frio, muito frio e o hálito daquela criatura sem duvida inumana.
Em um grito meu pescoço foi cortado e doeu, vi as gotas escarlate escorrerem rapidamente por meu corpo, a morte parecia tão simples...
Estava no quarto, inteira, deitada em minha cama, era simplesmente um sonho, a chuva lá fora continuava, calmamente a água estava batendo em minha janela, sorri por ser um simples pesadelo, por estar bem e por tudo ter enfim acabado, só fiquei irritada com o pequeno ruido que a cama agora estava fazendo, uma gota gelada caiu na minha testa, percebi que começou a cair gotas freneticamente pela cama, água para todos os lados da cama, virei para ver a água, mas não era água, era vermelho, vermelho sangue... Era sangue. Então olhei para o teto, dei um grito muito alto.
A garota amarrada ao teto, ensopada de sangue, que agora pingava na minha cama era eu, ela tirou as mãos do rosto completamente desfigurado e amedrontador e me olhou no fundo dos olhos, afundando-me no desespero, que era o oposto de sua voz calma.
—É só o começo do seu pesadelo.
Mais uma vez eu estava presa... Em meu pesadelo diário.


Nenhum comentário:
Postar um comentário