terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobreviva

Pareça como eles, pareça como eles, pareça como eles..., repeti em minha mente.
E me escondi dentre tantos deles, com minha pele machucada 
Tentei parecer com eles em seu jeito de andar e desarrumei meu cabelo para parecer com a garota que estava ao meu lado, eu só não podia deixar que vissem meus olhos.


—Lá fora, procurem se esconder o suficiente, não mostrem os dentes, eles estão desconfiando, depois me sigam. Sejam naturais — disse o da frente e eu o olhei incrédula, abaixando meus olhos na mesma hora e vi uma garotinha.
image
Como ela iria parecer normal naquele estado? Era impossível!
Ela me olhou nos olhos, mas algo a fez desviar para minha sorte, então vi Jared, meu melhor amigo. Ele se escondera dentre os seres ali e agora procurava alguém como ele, humano, levantei a cabeça e ele me viu, mas abaixamos a cabeça antes que percebessem.
—Nós vamos nos separar, andem pela cidade e nos veremos no Estádio de Selenita — disse aquele mesmo cara que mandou-nos sermos "naturais" e eu fui andando entre eles até chegar atrás de Jared, mas ele não me viu — Formem duplas ou pequenos grupos.
Peguei sua mão por trás e ele ficou rígido, com medo. Não ousou me olhar, seus dedos gelaram de medo e ele seguiu.
—Então, pra onde vamos? — fez uma voz mega-estranha.
—Jared, sou eu — o puxei e ele me olhou, me abraçou aliviado, me apertou forte.
—Vem, sei o que fazer — levei-o até uma loja que para nossa sorte só tinha uma humana, então comprei maquiagem preta e vermelha.
E fomos para o teatro que estava abandonado depois da guerra.
—Como sobreviveu? — me perguntou.
—Achei uma arma. E você?
Ele mostrou sua pistola.

—Eu sou um militar lembra? — e mostrou que só sobraram duas balas — Só que tem muito pouco pra eles.
Eu tremia.
—Você esta bem?  me perguntou.
—O Jorge morreu — chorei — Mataram ele.
Ele me abraçou forte e sussurrou-me que tudo ficaria bem.

—Sinto muito por seu pai — falou e eu o apertei, mas soltei.
—Tenho que te maquiar, temos que parecer com eles — limpei minhas lágrimas e peguei o lápis preto, passei embaixo de seu olho e fiz uma olheira forte, fiz o mesmo em mim, fiz machucados falsos nele e em mim, e depois passei o vermelho junto ao preto para parecer sangue — Pronto, podemos ir.

Caminhamos livremente até um lugar escuro, onde haviam alguns deles.
—Muitos de nós morreram esta noite, as forças armadas estão atacando, os humanos estão voltando das Trevas  — anunciou um deles.
O olhei e vimos um porão onde ele nos mandou entrar.
Com medo segurei no braço de Jared e ele desceu do meu lado, lá embaixo tinha a iluminação de poucas velas, me escondi num canto com Jared e de repente um cara encostou-se em mim, seus olhos cegos, sua boca sangrenta, seu jeito nojento. Ele me cheirava enquanto eu me encolhia mais contra Jared.
—Acho que temos companhia — ele jogou-me para frente com uma força brutal que me machucou o braço e as costas.
 E Jared correu me segurando.
—Ela esta comigo! — disse de cabeça baixa — É minha humana.
—Olhe para mim servo! — berrou um, mas uma janela se abriu e um humano atingiu a cabeça daquele mesmo que berrara com um tiro, Jared correu comigo para longe.
Todos começaram a correr e havia uma tropa ali, muitos humanos. Um tanque de guerra enorme e vários homens armados.
Jared me levou para um canto e me olhou preocupado.
—Você esta bem?
—Não, esta doendo — falei levantando a blusa de frio e vi um roxidão no meu braço, doía pra caramba — Ai droga.
Peguei na minha mochila um pano e ele passou pra mim.
—Obrigada — falei enquanto a ambulância vinha para nos ajudar, dois guardas nos colocaram para dentro e o motorista acelerou.
Não tinha um paramédico ali conosco, só o motorista. 
Quando percebi que ele acelerava muito, enrolei um pano no meu machucado e bati atrás de seu banco, por trás da pequena grade que tinha.
—Com licença, pode diminuir? — pedi.
Ele abriu a grade e me olhou, era um monstro deles, e quando vi o carro, estávamos indo em direção à um precipício.
Caímos, morremos.

Um comentário: